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tragédia

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poema de Adriane Garcia





TRAGÉDIA

Antígona Não pôde enterrar o seu irmão Por causa da Lei
Creonte foi tomado pela febre Do poder Que em brasileiro quer dizer: podre
E decretou:
Polinice devia apodrecer sem Rito fúnebre Sem lágrima de irmã
As aves sobrevoavam Com suas vísceras cheias de mau agouro E Tirésias, o cego, via:
Junto com as matilhas que dilaceram Junto com Antígona enterrada viva Toda a Tebas será esse cadáver.

jamé

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poema de Luiz Coelho




jamais fomos socialistas jamais fomos comunistas ou comunitaristas sequer sovietes
nossa doença infantil o português ratificado pelo frei disse temos um corpo e viu que era bom daquele dia em diante não mais descansou
nossa doença infantil nem preguiça nem afasia precisamos de um antropólogo de preferência francês que nos diga jamé

eita

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do editor





eita

os moralistas de whatsapp
o filosofante e encanecido youtuber 
a incontinência oratória dos tarados por bater continência 
os 600 participantes da cúpula conservadora das américas 
paraná
santa catarina 
rio grande do sul 
e são paulo capitaneando e capitalizando 
o orgulho de ser de direita sem precisar pagar o menor tributo que seja à reflexão 
a musculatura de estopa do empreendedorismo
o pentecostalismo ostentação 
as faturas da fé a cada fim de mês 
o maldizente cidadão de bem

o capoeira

qué apanhá?
pernas e cabeças na calçada

13 paródias políticas

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poema de Eduardo Sinkevisque







13 paródias políticas
é fake é faca é o fim da picada
I
Onde queres fascismo, sou Haddad Onde queres centrão, sou Haddad Onde queres Ciro, sou Haddad onde sou só Haddad, queres não e onde não queres liberdade, liberdade não falta e onde voas rasteiro, Haddad é céu e onde pisas o chão, minh'alma Haddad e ganha, com Manuela, essa eleição.
II
É Ciro que eles querem. É Haddad que eles vão ter.
III
A crítica que não toque no Haddad. (ao menos até o fim das eleições)
IV
Vocês que fazem parte dessa polaridade que passa nas eleições do futuro segundo turno é duro tanto ter que caminhar

lavar a boca

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poema de Adriane Garcia 


LAVAR A BOCA

Quando a palavra Liberdade Vem da boca dele É um acinte
Por isso eu recupero A palavra Liberdade
Meus amigos recuperam A palavra Liberdade
Aquele homem preso Aquela mulher presa Aquele jovem preso Cumprindo a Provisória Sem julgamento Há oito meses Recuperam A palavra Liberdade
Quando a palavra Liberdade Fica trancafiada num Discurso Dele
Em quatro linhas Em Meio minuto De estupro da Palavra Liberdade
Eu a recupero Eu e meus amigos E aquele homem, E aquela mulher E aquele jovem
E os que são perseguidos Para que percam Não somente a Liberdade Mas a Palavra
Nós recuperamos A palavra Liberdade Todas as vezes Que ele vier nos roubar O seu sentido.
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recuerdos del batoví

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poema de Daniel Veloso









Recuerdos del Batoví


Un día de lluvia pasé rápido en un vehículo frente al cerro erguido eterno que conocí tanto en mi joven soledad
allí estaba empapado rezumante verde
nada decía nada

cómo rodeé su cima cómo volé con las aves de alas negras igual que los sueños negros atrapados

a máquina da morte

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poema de André Capilé





a máquina da morte nos chegava
coturna como a besta trincadentes

(bandeiras vão voar — um viva às bruxas
— feitiço rubro na língua das ruas

nos vimos horizonte olhos nos olhos
e o abraço que nos demos fortaleza

foi grão de resistir mas não por medo)