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a academia esqueceu de deitar

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poema de Guellwaar Adún a academia esqueceu de deitar                     (para Conceição Evaristo) imortalizando princípios  da klan verdugo-amarela trinta e quatro  num chá dos cínicos crônicos pequenos fazendo caca na entrada fazendo caca na janela  esqueceram de deitar  e la nave va uma nave vã as uvas  permaneceram brancas e la nave va as uvas são falos broncos uns maribondos sem fogo uns moribundos sem gozo esqueceram de deitar o rouxinol entoa um jazz sem arriscar ensinar como se canta aos pardais pardais se apressam                                     corrigem o canto dos rouxinóis se esqueceram  nas ruas, a noite não adormece      nos olhos das mulheres Negras e no beco da memória faremos Pal...

poema para marrom

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poema de Eduardo Sinkevisque Poema para Marrom Não se pode mais estar nos mesmos lugares que gente execrável está. Não se pode mais respirar o mesmo ar que gente execrável respira. Mas ela não estava apenas no mesmo lugar. Mas ela não respirou apenas o mesmo ar. Ela sambou e cantou. Ela ainda convidou para sambar e cantar gente execrável com quem não se deve sambar nem cantar. Gente execrável se tem que execrar, oh vós, os super-nutridos da execração nacional. 

lulalivre

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poema de Ricardo Chacal brasil, esse bando de precarizados que votam com medo de perder o pouco que ainda tem brasil, essa oitava economia do mundo onde o dinheiro vai  para os poucos que tem muito brasil, esse país injusto esperando a primavera pra se libertar lula livre lula lá

oito ou vinte e oito minutos

poema de Marcelo Martins Silva Oito ou vinte e oito minutos Escrever oito Ou vinte oito minutos Tempo suficiente para ver a luz do fim da tarde Entrar pela janela Vê-la com ilimitada nitidez, como coisa concreta Um punhado de areia em descanso perpétuo – Se fosse de Albatroz poderia reconhecê-la Pelo gosto de morte e verão Senti-las como um esquecimento ao redor da cabeça Um cansaço que adormece os pés O desaparecimento total de todos os minutos Um salto para fora do sono O esquecimento d’água O esquecimento dos ossos O esquecimento como um despertar dos séculos Em um ponto longínquo de nós mesmos Lá onde as palavras germinam Tão mais próximas do sangue e da terra

rapsódia para um desastre

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poema de Duan Kissonde [vídeo cassetadas]& ou rapsódia para um desastre, [acompanhamento: gaita de boca] e desligarão os aparelhos do cine vitória. mesmo com o ronco moto-contínuo das lotações, em seu vai-e-vem frenético e fumarento, mesmo com a loucura dos dólares e euros trocados ali mesmo na calçada, mesmo com o silêncio cansado das meretrizes já cansadas que ficam sentadas por aí pelos bancos das praças públicas, mesmo com o latido lancinante da cadelinha do Alemão, [uma célebre figura das ruas & morador delas], mesmo com o burburinho jornalesco dos engraxates, mesmo com a barganha barata dos vendedores de morangos da esquina da andrade neves.   mesmo tendo alguma canção senegalesa como pano de fundo disto tudo. mesmo com todo esse caos. ainda sim se ouvirá o estertor. o último suspiro. do último cinema de calçada da cidade de porto alegre. e depois chegará a vez da banca de jornal, do chaveiro, do sapateiro, do engraxate, do afiador de facas, do v...

o custo da democracia & o wifi

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poema de Adriane Garcia O custo da democracia ou O wifi diminuiu a solidão dos idiotas Quando os idiotas não tinham wifi O mundo já era ruim Mas a gente percebia menos Porque o mundo sempre teve idiotas Mas nem sempre teve wifi e agora Nenhum idiota se sente mais sozinho.

cobra

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poema de Demétrio Panarotto [imagem: Lorenzo Panarotto] Cobra                                                                                            I cobra na fatura mordida sem medida à prestação da morte sangue já fora das veias sorriso de testemunha o fim é dependurado II cobra no boleto felicidade em vidrinhos boletas pagas boletas pagas mordida lenta sono alguns meses de vida corpo parafusado no caixão III cobra na duplicata um duo de miséria as presas inoculando servidão servilismo só solta a vítima depois do acalanto IV cobra em prestação parece aperto de sucuri morte a bem suada puxa o ar nem vírgula vem baba no canto da boca sorriso amarelo pastel V cobra...